Caiado dá parecer favorável a projeto que institui exame de proficiência para exercício da medicina

O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado (GO), apresentou nesta terça-feira (29/5) parecer favorável ao PLS 165/2017 que institui o exame de proficiência em Medicina como condição para um médico graduado receber o registro nos conselhos regionais. Médico ortopedista, o senador justificou seu relatório como medida importante para garantir a qualidade dos profissionais que atuam no país. Caiado lembrou que nos últimos anos houve a proliferação dos cursos de medicina, – são 323 faculdades instaladas, – mas muitas não oferecem um ensino compatível para formação de bons profissionais. O exame será gerenciado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) a exemplo do que já ocorre com os graduados em direito que realizam prova organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O texto foi apresentado na Comissão de Educação e deve ser votado na próxima semana.
“A realidade hoje é que estamos numa proliferação sem controle das faculdades de medicina no país. Hoje, temos no total 323 faculdades de medicina no país. A grande maioria faculdades privadas que, infelizmente, cobram de um universitário uma mensalidade que oscila entre R$ 7 a R$ 15 mil. Isto onerando, inviabilizando, comprometendo gravemente a economia de uma família que, muitas vezes, espera dar ao filho uma formação qualificada no curso de medicina. Essas faculdades, na maioria das vezes, não têm docentes qualificados para administrar as aulas, na maioria das vezes não tem hospital universitário. É algo que vem comprometendo e muito a medicina brasileira onde um jovem formando nunca teve acesso a um poli traumatizado, a um acidentado. É só tudo feito dentro da tese da teoria“, disse ao lembrar que o Ministério da Educação suspendeu, por cinco, a criação de novos cursos de medicina.

Além do exame, o parlamentar defendeu um acompanhamento das faculdades no sentido de se cobrar maior qualificação do ensino. “A solicitação que faço é que tenhamos um acompanhamento externo dessas faculdades. Na Câmara dos Deputados chegou ao absurdo de se propor curso de Medicina a distância. Não podemos fazer que esses pacientes sejam submetidos a um profissional que não tem qualificação mínima. Estaremos praticando iatrogenias (complicações ou efeitos adversos) gravíssimas. Pessoas que saem com as credenciais de operar, de prescrever sendo que ele não tem um conhecimento mínimo daquilo que lhe foi repassado durante os anos de estudo na faculdade”.
“O que peço a todos e isso é fundamental para a sobrevivência da qualidade da medicina brasileira, que sempre foi uma medicina de referência no mundo em várias especialidades, que tenhamos o compromisso em exigir que, inicialmente, os alunos sejam avaliados e num segundo momento, num segundo projeto nosso nós teremos um controle externo da faculdade. A faculdade deverá ser submetida a regras como todos são submetidas mundo a fora. Esse projeto é de uma importância ímpar para que amanhã possamos aos nossos filhos e netos qualidade no atendimento na área da saúde”, defendeu.

Foto: Sidney Lins Jr